“com os DJs todos entram na dança”

September 28, 2008

matéria sobre a vida dos DJs que saiu com a gente no jornal A Tribuna de Santos hoje. clica nas imagens p\ ampliar:

Com os DJs todos entram na dança
Sem eles, as casas noturnas ou mesmo as simples festas particulares não teriam graça, e muito menos diversão
RONALDO ABREU VAIO

DA REDAÇÃO
Eles trabalham enquanto os outros se divertem. Aliás, muitas vezes, se não fosse por eles, nem haveria diversão. Nas mais badaladas casas noturnas, ou na simples festinha de aniversário, do rock à música eletrônica, discretos ou superstars, são eles que cuidam para que ninguém fique parado na pista de dança. Com vocês, o mundo de ritmos dos DJs. “Nossa função é fazer o pessoal dançar. A pior coisa para um DJ é não ver ninguém dançando. Ele tem que ser um vendedor, ler as pessoas, imaginar o gosto do público”, explica Héctor Lima, um dos DJs responsáveis pela festa Popscene, que durante seis anos aconteceu periodicamente em casas noturnas do centro da Cidade. Hoje, a festa está em São Paulo.

Além da percepção acurada do gosto de seu público, para manter todo mundo dançando, nenhum DJ pode dispensar um kit básico de equipamentos, composto por um mixer e uma pickup (os toca-discos de outrora) ou um CDJ. “O CDJ é um tipo de CD Player com 2 aparelhos, um de cada lado, e o mixer no meio, para fazer a mixagem do conteúdo dos dois CDs que estão tocando”, explica a DJ Flávia Durante, parceira de Héctor na Popscene. De posse dessa aparelhagem, o trabalho do DJ consiste em manter a música viva, sem interrupções. Para isso, utiliza o processo de mixagem, que compreende desde a mera junção de faixas, de modo que não haja intervalo entre elas, até a própria sobreposição de elementos de várias músicas. “Pode-se criar uma nova música a partir de pedaços de outras músicas. O trabalho do DJ vai além de apertar o play”, ressalta Flávia. Muitos, inclusive, como o norte-americano Moby ou o alemão Paul Van Dyk, têm trabalho autoral nessa linha, com diversos álbuns gravados e status de popstar.

texto completo na continuação:

O COMPUTADOR
O computador, principalmen- te os portáteis, talvez seja o aparelho que está ganhando mais espaço entre os DJs. Com capacidadepara armazenar milhares de CDs, os computadores são práticos. Mas, ainda assim, seu uso na discotecagem divide opiniões. “Dá para colocar mais efeitos nas músicas e trabalhar com mais de duas faixas ao mesmo tempo”, explica Flávia, que, mesmo assim, afirma preferir o CDJ.”Depende do gostopessoal. Assim como tem muito DJ que ainda prefere trabalhar com LP”. Ao final, pondera. “Mas temos que estar sempre abertos às novidades. Se não fosse assim, ainda estaríamos ouvindo gramofone”.

COMO SE FAZ O GOL
Além das casas noturnas, as festas particulares, como casamentos e aniversários, são outro filão de trabalho para os DJs. Embora a forma de discotecagem seja a mesma utilizada em casas noturnas, o repertório tem que ser muito mais variado. “Para fazer as festas particulares, o DJ tem que tocar de tudo”, resume Renato Gouveia, um dos proprietários da BPM Eventos, que fornece tanto os DJs, quanto a aparelhagem para festas. “Muitas vezes, o próprio contratante costuma dizer o que quer e o que não quer, mas cada festa é diferente, é preciso sempre sentir o feeling de cada uma”, explica. Mas como se faz isso, de sentir o feeling de uma festa? “Difícil dizer. É a mesma coisa que perguntar para o jogador de futebol como é que ele faz o gol”, encerra.

box: DJ é a abreviação de Disc Jockey. O termo foi cunhado em 1935 pelo comentarista de rádio americano Walter Winchell, para designar os profissionais responsáveis pela música no rádio. Winchell combinou os termos em inglês disc (disco) e jockey, que quer dizer operador de máquinas. O desenvolvimento da atividade caminha de mãos dadas com a evolução tecnológica. Ainda nos anos 40, começou-se a se usar discos em bailes de jazz, ao invés das até então tradicionais jazz bands. Mas a popularização deu-se nos anos 70, na era da discoteca. A partir dos anos 80, com o surgimento da cultura hip hop e com o incremento das técnicas e aparelhagens que possibilitaram o salto da música eletrônica, os DJs foram se firmando cada vez mais, até se transformarem na figura de destaque que ocupam hoje no cenário musical
Renato Gouveia diz que em festas particulares é preciso tocar de tudo

Existem as Maria Gasoli- nas, garotas que gostam de carros; as Maria Chuteiras, que perseguem jogadores de futebol, e as chamadas Maria PickUps, em referência aos tocadiscos, que fazem de tudo para ficar perto de um DJ. Que o diga Igor Meneses. “Já aconteceu comigo, numa festa, uma garota subiu na mesa onde estavam os aparelhos, durante o trabalho”, relembra. “O segurança veio e a tirou, senão não teria como discotecar”, sorri. Precoce, Igor, com apenas 20 anos de idade, já é DJ residente na Karuna, casa noturna especializada em música eletrônica, localizada na Av. Senador Feijó, no Centro. Aliás, em música eletrônica, que, por definição, é todo tipo de música criada ou modificada por equipamentos eletrônicos, a figura do DJ é fundamental para animar a balada noite afora.

ECSTASY
Com a música eletrônica, flo- resceu também uma cultura, principalmente na Europa. Dessa cultura, são elementos indissociáveis as chamadas raves, festas que acontecem geralmente ao ar livre e que duram às vezes dias, e o ecstasy, uma droga sintética utilizada para aguentar os longos períodos de dança ininterrupta. Apesar de tocar justamente um tipo de música eletrônica, o eletrotechno, Igor é taxativo ao repudiar a droga. “Não é necessário usar qualquer substância para curtir o evento. Tenho amigos que curtem sem nada”. Segundo ele, afirmar que o ecstasy é indissociável das raves, e por conseguinte, da música eletrônica é um erro. “Em todos os eventos, pagode, micareta, têm algum tipo de entorpecente e não é por isso que todo mundo vai usar”.

Igor dribla mulherada e diz não às drogas

Não há ainda no Brasil ne- nhuma regulamentação que contemple a atividade. Segundo Lisa Bueno, que atua como DJ há 11 anos e é uma das proprietárias da E-DJ, que ministra cursos voltados a essa área, em São Paulo, já vem se tentando criar um sindicato para a profissão, englobando também os técnicos de som e iluminadores. “Eu, por exemplo, tenho registro de músico”, diz Lisa. Mas, de certa forma, o registro como músico não é algo totalmente fora de propósito. “Estão acabando as fronteiras. Hoje, bandas de rock, de samba, estão colocando DJs como parte integrante do grupo”, aponta. Sobre esse aspecto, se um DJ é, de fato, um músico ou um animador de ambientes, Ricardo Pollini, também proprietário da E-DJ, é incisivo. “Tem que tirar essa mentalidade de que DJ não é músico. Ela está produzindo música aqui, ao vivo”, diz, apontando Lisa, às voltas com seus equipamentos, fazendo uma demonstração para a reportagem de A Tribuna.

DIFERENÇAS
Segundo ele, a diferença entre o DJ e o chamado músico tradicional, é que este cria música orgânica, ou seja, a partir de instrumentos físicos, como piano, violão, enquanto o DJ cria temas a partir de sons virtuais ­ que muitas vezes reproduzem os timbres dos instrumentos físicos. Ao final, fica o denominador comum entre ambos. “Os dois precisam conhecer música para criar”, diz Ricardo. A E-DJ oferece cursos básicos individuais de formação, com duração de 3 meses. Mais informações, em www.e-djs.com.br, ou pelo telefone (11)3331-0898.


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Galeria - A TRIBUNA Domingo 28 de 2008
www.atribuna.com.br setembro de 2008




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